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Inconclusos Online

Imagem de destaque da publicação "Marshall versus Hiroshima"

Marshall versus Hiroshima

O ataque que a imprensa fingiu esquecer

O recente apelo de Donald Trump para que os Estados Unidos retomem os testes de armas nucleares reacendeu o temor de uma nova corrida armamentista e trouxe à tona um capítulo sombrio da história americana: as explosões atômicas realizadas nas Ilhas Marshall, no Pacífico.

 

Marshall versus Hiroshima

 

O jogo ainda não terminou dentro do rádio.

Ouço comentários conflitantes acerca de crueldades e o que ouço é um resultado parcial,

porém Marshall está vencendo Hiroshima por muitas vidas.

As consequências humanas e ambientais são catastróficas, e ninguém poderá deixar o estádio

antes do apito final.

 

Um pequeno avião sobrevoa os atóis.

Ali, os Estados Unidos explodiram sua primeira bomba de hidrogênio, e não é o fim do jogo.

A terra está presa ao silêncio.

 

O Planeta foi envenenado e serão precisos sapatos de éter para caminhar entre palmeiras assombrosas. Da posição onde estou, não vejo pássaros. O sol se desmorona como oxigênio em brasa.

A noite nos surpreendeu em plena tarde. Os homens estão surdos, os rádios não têm voz.

Os jornais fingiram não saber do espetáculo.

Após o impacto da primeira bomba, o sol ressurge de dentro da noite.

 

A visão é monstruosa.

Olhos tensos, avermelhados, carnívoros, arroxeados. A carne sangrando sobre um arco de brasa.

O buraco negro é uma boca horrenda pedindo analgésicos.

A reconhecida beleza da vida dá lugar a um vazio mortal.

O vírus radioativo, capaz de mudar a direção do vento, assomou-se ao ar, deixando os olhares

perplexos sob duras ameaças.

 

Morremos sufocados, sem poder gritar.

Para onde segue a onda de veneno, não sabemos.

O ar vai puxando correntes desesperadas: pústulas sangrentas, rosas se desabando,

e moças mutiladas seduzindo moscas para uma sopa de feridas.

Somos meros testamentos mutilados, impossibilitados de deixar o estádio,

sequer expor as contradições.

 

A ciência transformou homens em ratos. Homens perdidos em seus labirintos sem saída.

homens ratos acariciados pelo pavor de uma arma nuclear.

 

CK

 

 

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O texto e opinião do autor não refletem necessariamente a opinião do site Inconclusos Online.

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