No início vieram os tropeiros
Foram formando suas tendas
Fazendo ruas com vivendas de sapê e taipa…
Depois vieram cangaceiros, coronéis retirantes e posseiros
plantando vidas, fazendo história, colonizando, o que formou
a gênese do lugar.
A mata-densa não permitia ver o sol.
Dentro da mata tinha de tudo
onça pintada, seriema, suçuarana – onça-pequena,
pau-brasil, jequitibá… rios cristalinos de água pura,
a mata preta gigantesca, o borrachudo e o jupará.
Solfalá. Amêndoas roxas. Amor Divino e cajá.
A onça vinha ver a lua nos roçados,
Nas plantações dos seus primeiros cacauais.
A cidade plantou em suas veias, a capital.
O Cachoeira vinha, lavava e revolvia a sua lama,
trazendo em suas águas gente nova
Para a “enchente” do lugar.
O bilhar, o jazz, o rádio, o lorde, o marabá…
O mar ficou distante, esperando te encontrar.
Adeus novenas de Maio.
Adeus tranças de Maria.
Os seus frutos dourados são mais que história.
São poesia.
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- Glossário:
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- solfalá, pássaro de canto mavioso, extinto
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- amêndoas roxas, cor das amêndoas do cacau.
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- amor divino: sobrenome do primeiro plantador do cacau João do Amor Divino
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- Cachoeira – rio da cidade
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- Marabá – primeiro cinema
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- Lord – primeira banda – maior bande de bailes do Estado, durante décadas.
CK
