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Inconclusos Online

Frutos Dourados

Poesia de Fundação

Itabuna fez 116 anos de fundada, e eu resolvi retirar da memória a construção da sua gênese. Fiz poema e canção. Esta, o maestro e arranjador Sérgio Souto, falecido em 2014, em Salvador, dizia ter natureza jobiniana, devido aos acordes.

 

 

No início vieram os tropeiros

 

Foram formando suas tendas

 

Fazendo ruas com vivendas de sapê e taipa…

 

Depois vieram cangaceiros, coronéis retirantes e posseiros

 

plantando vidas, fazendo história, colonizando, o que formou

 

a gênese do lugar.

 

A mata-densa não permitia ver o sol.

 

Dentro da mata tinha de tudo

 

onça pintada, seriema, suçuarana – onça-pequena,

 

pau-brasil, jequitibá… rios cristalinos de água pura,

 

a mata preta gigantesca, o borrachudo e o jupará.

 

Solfalá. Amêndoas roxas. Amor Divino e cajá.

 

A onça vinha ver a lua nos roçados,

 

Nas plantações dos seus primeiros cacauais.

 

A cidade plantou em suas veias, a capital.

 

O Cachoeira vinha, lavava e revolvia a sua lama,

 

trazendo em suas águas gente nova

 

Para a “enchente” do lugar.

 

O bilhar, o jazz, o rádio, o lorde, o marabá…

 

O mar ficou distante, esperando te encontrar.

 

Adeus novenas de Maio.

 

Adeus tranças de Maria.

 

Os seus frutos dourados são mais que história.

 

São poesia.

    • Glossário:

 

    • solfalá, pássaro de canto mavioso, extinto

 

    • amêndoas roxas, cor das amêndoas do cacau.

 

    • amor divino: sobrenome do primeiro plantador do cacau João do Amor Divino

 

    • Cachoeira – rio da cidade

 

    • Marabá – primeiro cinema

 

    • Lord – primeira banda – maior bande de bailes do Estado, durante décadas.

CK

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