O Mundo começa, depois do azul daquelas montanhas
Livro de poesia
Carlos Kahe
A poesia nasce das águas, das estradas, das montanhas, das vozes e da memória do Sul da Bahia, mas recusa qualquer confinamento regional. O território não funciona como fronteira. Funciona como origem. E toda verdadeira origem contém uma possibilidade de viagem. Talvez seja por isso que, depois de tantas páginas, rios, pássaros, cidades, vozes, tambores, lembranças e caminhos, seja necessário regressar ao princípio. Regressar ao azul. Regressar às montanhas. Regressar àquela frase que, antes mesmo do primeiro poema, já nos havia colocado em movimento: O Mundo começa no azul, depois daquelas montanhas. Agora, porém, já não a lemos da mesma maneira. No início, talvez víssemos apenas uma bela imagem. Depois da travessia, percebemos que ela contém uma poética. O mundo nunca começa exatamente onde acreditamos que começa.