Certa vez, quando ainda lecionava, insisti com meus alunos sobre a importância de buscar a excelência em tudo o que fazemos. Afinal, para o aluno medíocre, o esforço é sempre calculado: basta a nota 5, o mínimo para não repetir o ano. O medíocre é especialista em sobreviver no limiar da irrelevância.
A mediocridade é uma coleção de defeitos: ausência de mérito, falta de talento, preguiça criativa e esforço pífio. É a arte de se acomodar, de se contentar com o mínimo necessário, como quem acha que evoluir é opcional. O medíocre não cresce, não inspira, não deixa legado. Apenas ocupa espaço.
No mundo profissional, a mediocridade cobra caro. O mecânico medíocre não terá clientes satisfeitos; eles não voltam, não recomendam, e o negócio morre. O médico medíocre erra diagnósticos, prescreve remédios inúteis ou perigosos, e multiplica o sofrimento de seus pacientes. O risco é real, e o preço da mediocridade é pago em dor.
E quando a mediocridade veste toga, o desastre é institucional. Um ministro medíocre da Suprema Corte toma decisões injustas, se deixa manipular por interesses políticos e, em sua incompetência, pode corroer os pilares da democracia. O medíocre, nesse nível, não apenas falha: ele compromete o futuro de uma nação.
O problema é que o ministro medíocre pode evoluir, não para melhor, mas para pior. Torna-se um péssimo ministro. E se, além de medíocre, for terrivelmente evangélico, aí o espetáculo da incompetência ganha contornos teocráticos: substitui a Constituição por um livro cheio de contradições e “leis” duvidosas, como se fosse manual de governo.
Assim é André Mendonça: a personificação do medíocre que, quando se esforça, consegue ser ainda pior.
Portanto, seus pares não deveriam se dirigir a ele como “Vossa Excelência”, mas sim, como “Vossa Mediocridade”.