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Um vírus no STF

Uma missão foi dada a um ministro: destruir o STF

Jornais criticaram sessão do STF, lembrando harmonia dos anos 80. Conflitos atuais surgem com Mendonça, indicado por Bolsonaro, visto como “vírus”. Reação dos ministros foi defesa contra ataque bolsonarista.

Os jornais de hoje se apressaram em afirmar que a sessão de ontem do STF causou indignação e tristeza, exatamente na linha adotada pela ministra Cármen Lúcia em sua fala. Para eles, bom mesmo era o Supremo dos anos 80, que atuava em harmonia e jamais permitiria brigas entre seus membros. Era um tempo em que os ministros só se acomodavam em suas poltronas. Porém, não explicaram as razões pelas quais os conflitos de ontem ocorreram.
 
Todos sabem do “apreço” da família Bolsonaro pelo Supremo. Eduardo Bolsonaro chegou a declarar que, para fechar o STF, bastariam “um jipe, um cabo e um soldado”. O bolsonarismo, por sua vez, empenha-se em eleger o maior número possível de senadores, não para legislar em favor do país, mas para promover impeachment contra ministros que lhes sejam desfavoráveis.
 
Ao indicar André Mendonça para o STF, Jair Bolsonaro inoculou um “vírus” com a missão de destruí-lo por dentro. Foi esse ministro quem provocou as brigas que a imprensa e Cármen Lúcia tanto lamentaram. E diante da ação desse vírus, o que deveriam ter feito os demais ministros? Cruzar as pernas, dedilhar na mesa e olhar para o céu assobiando? Vale lembrar que seu Jair sempre gostou muito da ideia de que vírus atuem livremente nos organismos.
 
Alexandre de Moraes, como bem lembrou Flávio Dino, só estava sendo alvo de julgamento ontem porque havia um “acerto de contas” em andamento contra ele, ou seja, uma vingança. As ações se intensificaram porque o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já se posicionou contra os vários pedidos de impeachment feitos pelos bolsonaristas. Vale lembrar que Alcolumbre demorou quatro meses e meio para marcar a sabatina de Mendonça, talvez prevendo os danos que ele poderia causar ao tribunal.
 
Ontem, como num organismo infectado, os anticorpos reagiram. E corretamente. É preciso combater esse vírus, porque, se não houver reação, ele cumprirá sua missão. Flávio Bolsonaro já começou a criticar Flávio Dino, alegando que não deveria se pronunciar na sessão por ter sido indicado por Lula. E Mendonça? Por quem foi indicado?
 
Se na sessão de ontem, dedicada a julgar os procedimentos de Alexandre de Moraes, houve tamanha reação dos anticorpos, o que esperar do dia 23, quando o próprio “vírus” será julgado?
A questão que fica é: conseguirá o organismo vencer essa guerra?
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