IDEB
O Índice de Desenvolvimento da Educação básica no Brasil poderia ser muito melhor.
Não por acaso eu estou como agente da educação básica há 7 anos. Durante a pandemia atuei como Coordenador de ensino do nosso município, cuja divisão da coordenação na época se fazia necessária por disciplina, até porque foi necessário criar uma rede municipal de ensino a distância de modo que pudéssemos adaptar o sistema de aulas assíncronas e síncronas, haja vista que nem todo estudante da época matriculado na rede municipal possuía Smartphone ou tablete para que pudesse ser utilizado com esse fim e também nem toda família possuía acesso a internet. Após o período pandêmico, voltamos ao sistema tradicional de ensino e voltamos também ao sistema de Coordenação por Unidade de Ensino.
Mas é fato que durante esse tempo venho observando como funciona o sistema de avaliação nas escolas e assim como nas escolas do campo, as escolas de centros urbanos funcionam da mesma forma e tem um sistema de avaliação padronizado. Busca-se saber, com essas avaliações, o que aluno aprendeu dado os conteúdos que foram apresentados em sala de aula e tanto nas avaliações em cada unidade de ensino como nas avaliações externas o alunado tem demonstrado um profundo desprezo pelo valor dessas avaliações.
Em minhas observações tenho registrado que os alunos não mais se preocupam com a nota que cada avaliação atribui ao seu conhecimento, e com isso, mesmo tendo o determinado conhecimento, pouco importa a nota que ele vai tirar.
Cheguei a essa conclusão depois de muita conversa com Professores, colegas Coordenadores e principalmente com os próprios alunos, que a pesar de vários e vários incentivos, dificilmente se convence um adolescente de fazer o que ele não quer.
Para muitos alunos, uma grande maioria por sinal, esse tipo de avaliação, as chamadas avaliações externas, não tem valor nenhum para eles, e eles mesmos dizem: “essa prova não serve de nada” e por isso apenas marcam as questões aleatoriamente não se importando com o resultado.
Por tanto, concluo que, se de fato houvesse um empenho por parte dos estudantes em realmente obter um bom resultado, fazendo a leitura correta das questões, interpretando os enunciados, não teríamos outro resultado se não uma nota muito melhor do que a que temos hoje totalmente alheia a realidade do aprendizado na educação básica.
Veja os resultados obtidos nas series dos anos iniciais e compare às dos anos finais do ensino fundamental e em seguida do ensino médio. Você verá as distorções existentes (Anos Iniciais 6,3 / Anos Finais 5,3 Ensino Médio 4,5) e isso acontece porque os alunos dos anos iniciais ainda não têm o mesmo discernimento de livre escolha dos alunos dos anos finais e posteriormente do ensino médio.
Euzébio Silva