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Imagem de destaque da publicação "Get Back – The Rooftop Concert"

Get Back – The Rooftop Concert

Eles tocam Get Back, Don’t Let Me Down e daí começa um jogo de imagens para dividir a tela e mostrar simultaneamente o show e o que acontece na rua

O concerto no telhado da Apple foi um ato ousado: Beatles em plena Londres, câmeras por todos os lados, polícia tentando intervir e músicas repetidas para buscar a versão perfeita — um manifesto musical que virou história.

O texto a seguir inaugura uma série sobre o filme Get Back.

O concerto no telhado da Apple não é apenas um registro musical: é um gesto estético e político.

Os Beatles iniciam com Get Back e Don’t Let Me Down. Logo, a montagem alterna imagens, dividindo a tela entre o show no telhado e o movimento nas ruas abaixo.

São dez câmeras analógicas espalhadas: cinco no telhado, uma na cobertura de um prédio em frente, três na rua (uma delas nas mãos de um repórter que entrevista o público) e uma última escondida na recepção da Apple. Michael Lindsay-Hogg parecia prever que a polícia poderia aparecer e quis registrar tudo.

No figurino: Ringo com capa de chuva vermelha, emprestada da esposa Maureen, George de casaco preto pesado sobre calça verde, Paul em blazer preto e um par de old brown shoes. Já John veste um casaco de pele de Yoko, curto nos braços.

O concerto começa com surpreendente desenvoltura, contrastando com a insegurança que o grupo mostrava dias antes. Ainda assim, até o último momento eles resistiam à ideia de subir ao telhado.

John reclama do frio nos dedos. O público começa a se formar na hora do almoço: funcionários de escritório, senhoras aposentadas, curiosos. O repórter pergunta se sabem quem toca — todos sabem. A maioria vibra, mas um homem de negócios protesta que o barulho atrapalha. Outro senhor comenta que gostaria que a filha namorasse um Beatle, afinal eram ricos.

Dois policiais chegam à recepção da Apple. Dizem que o som incomoda e que, se não parar, haverá prisões. Sem saber que estão sendo filmados, ouvem da recepcionista que os Beatles gravam um filme. Mal Evans aparece e enrola os agentes, ganhando tempo. Mais tarde, já perto do fim, os leva ao telhado. Um sargento educado pede para entrar. Mal desliga os amplificadores, mas George os religa.

O show termina. Algumas músicas foram repetidas — Get Back três vezes, Don’t Let Me Down duas — para garantir a melhor performance. Em uma delas John erra a letra e todos riem, menos Paul. A partir daí, um auxiliar segura as letras ajoelhado diante deles. Algumas faixas recebem a legenda “esta é a versão que aparece no álbum Let It Be”, reforçando o caráter de registro ao vivo.

Depois do concerto, ainda faltava gravar em estúdio as músicas não tocadas no telhado. George brinca: “Será que há lei contra shows assim? Daqui pra frente todo grupo vai querer tocar em telhados.” (Alô, U2!).

Paul insiste em mais uma gravação, mesmo após Glyn dizer que estava tudo ótimo. Só o Paul mesmo.

A ideia foi genial: agitou a sisuda Londres na hora do almoço e cumpriu o objetivo de promover o novo álbum, embora frustrada pela intervenção policial.

A restauração em 4K impressiona: não parece um registro de 53 anos atrás. O som, gravado em apenas oito canais analógicos, é excelente. Peter Jackson trabalhou para digitalizar e aprimorar tudo.

Billy Preston, discreto nas imagens, deveria aparecer como o “quinto Beatle”: foi ele quem deu energia ao grupo e elevou as músicas.

No fim, o documentário deixa sabor de quero mais. Encanta fãs antigos e pode conquistar novas gerações. Para quem viveu o auge e o fim do quarteto e assistiu ao filme Let It Be tentando decifrar sua criação, é impossível não se emocionar com os detalhes que Lindsay-Hogg captou e que Peter Jackson condensou em quase oito horas de material.

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O texto e opinião do autor não refletem necessariamente a opinião do site Inconclusos Online.

Respostas de 2

  1. Amigo Fernando, a capa de chuva vermelha usada por Ringo também é emprestada da esposa – Maureen, no caso. Sugiro você incluir essa informação no mesmo parágrafo do casaco usado por John, já que a configuração do “Inconclusos” lhe permite editar seu texto… faça isso, don’t let me down! Grande abraço

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