Desencanto-me com as mazelas
De um ser que precisa economizar o pão
Para tê-lo no outro dia
Encanto-me com a poesia
Com qualquer forma de arte
Desencanto-me com o ser ignorante
Com o “cego” que tudo vê e nada faz
Com a inércia dos sentidos
Encanto-me com o amor em versos e na prática
Encanto-me com a empatia
Desencanto-me com a falta de atitude perante o sofredor
Encanto-me em poder ajudar
Desencanto-me com a mágoa
Encanto-me com o perdão
O desencanto é tanto
Que por vezes me sufoca
Em busca de um encanto
Por uma forma de vida mais justa
Que não vejo
Desencanto-me com a escravidão
Desencanto-me com o preconceito
Com o ser pascácio
Pensando bem, sou um ser ábsono
O encanto já me desencantou demais.