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Trilogia com meu Mestre. Parte 3

Silêncio

Os pássaros também me são mestres…o rio, o mar…as flores, os animais…tantos são…um delírio…a atmosfera…música para meus ouvidos.

01-03-21

 

Mestre…mestre, precisamos conversar…eu…eu sinto que preciso recomeçar, retroceder.

 

Aliás, eu não sinto. Por isso vim.

 

Sempre na mesma hora do dia, eu entorpeço. Mas antes, sempre na mesma hora do dia, eu enlouqueço. E nestas últimas horas, Sua presença na minha vida não resolve nada.

 

A angústia é tão forte, que eu resisto por cansaço. Cansaço de lutar contra ela.

 

E também por saber, que ajustados os ponteiros do relógio, eu estarei diante de qualquer, mas qualquer mesmo, cena ao ar livre, lar ao ar livre…me sentindo constrangedoramente imerso em tamanha gratidão pelo simples fato de existir…que me leva de encontro a um contentamento sem vergonha, que não quer distinguir a si mesmo do olho que tudo vê, que sempre vê; que busca em vão, não rumar para dentro…porque não dá conta da glória de sentir que tudo é Uno.

 

Eu já nem sei por que a Ti retorno. Está sempre posto o eterno retorno. O eterno silêncio.

 

Ahhh…eu nem sei também por quê!! Como eu vim assim, cantante, e ter de dar conta do silêncio?

 

Por onde andei, ainda ouvi, de bocas interessantes, o que é que eu fazia mesmo da vida, além de cantar.

    1. Chega a ser engraçado, que de um encontro a outro, onde só eu O procuro, eu tenha de chegar cada dia com uma indagação mais bizarra, a ponto de perder-se nisso, a minha narrativa quase sublime.

Chego a esgarçar-me diante de um mestre que me fita e não fala.

 

Me expõe ao ridículo.

 

Se eu canto, não fui eu que busquei isso.

 

Eu respirei e estava lá. Já o eterno silêncio. 

 

A ausência absoluta de respostas.

 

Mas o que é que eu podia fazer?

 

Como enfrentar o silêncio sem cantar? Como responder com voz e tudo, o que só se

 

percebe em silêncio? 

 

Eu ainda tenho de dar voz ao que insiste em se calar!?

 

E assim sendo, trago de mim, o mais sublime na voz que canta, pois do que falo nada sei,

 

e meu silêncio muitas vezes impera em desespero. Então eu canto. Detesto me sentir es-canteado. Então eu canto mesmo.

 

Canto pra viver.

 

Chega de ladainha da tal da razão pra eu cantar. Canto. Desencanto. Desencanto quem vier saber de mim só as respostas.

 

Qualquer canto vale a pena. Mestre…canta pra mim, já que não falas.

 

Mas tudo bem. Eu antevejo. Sei muito bem quando o canto não é meu.

 

Os pássaros também me são mestres…o rio, o mar…as flores, os animais… tantos são…um delírio…a atmosfera… música para meus ouvidos.

 

Mal posso aguentar tanto contentamento, pelo simples fato de pertencer.

 

Mestre…tenho medo do que poderias me dizer…tenho medo, fúria, e necessito…mas não sei se poderia suportar…uma palavra Sua, se suportar eu não pudesse, me dissolveria em pó, me devolveria ao átomo de mim, em mim mesmo. 

 

Uma palavra sua, talvez trouxesse um

 

clarão por um preço que eu não poderia sustentar. 

 

Toda a verdade…que me Trazes Mestre,

 

em doses tão honestas e homeopáticas, tanto quanto minha doce ignorância.

 

Hoje, não canto à ciência. 

 

Esta não dá conta do meu silêncio.

 

Eu desafio mesmo é o mistério. 

 

Porque temo, desafio.

 

Mestre…o que eu faço com você?

 

Não adianta Temê-lo, nem Enfrentá-lo, nem Desafiá-lo. Insistes em rodopiar-me as vísceras

 

quando sinto que já não me pertenço, a não ser quando me entrego a este silêncio que

 

esgota minha arrogância, me faz estafar, é quando meu canto dá uma volta inteira em minha alma e me coloca neste lugar. 

 

Distante de tudo… aurora molecular…buraco

 

negro…o micro…o macro…o cosmo…e eu…que só sei cantar.

 

H.C.🌻

What a wonderful world 🌻
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