
A história de hoje é sobre superação, e ela começa em um pequeno vilarejo de ruas estreitas e malcheirosas, de chão batido com algumas pedras de rio espalhadas pelos caminhos. Neste lugar, as casas têm três andares que se inclinam para dentro da rua, fechando ainda mais a passagem da claridade do luar. É um lugar de pouca iluminação, onde a noite está esbranquiçada — talvez pela fumaça ou pela neblina que paira no ar misterioso e assustador. Ao longe, escuta-se o alvoroço de um grupo carregando velhas tochas nas mãos e três mulheres sendo arrastadas e amarradas em um tronco grosso para serem queimadas nesta noite tão fria e sombria. As três foram acusadas de bruxaria; com o veredito dado e sem direito a defesa, as mortes eram iminentes.
Por volta dos anos 1500 a 1600, a nossa querida “Bruxona” foi queimada em algum lugar da Europa. Mas, pasmem: nessa encarnação ela não foi ruim, não fez maldades extremas, não usou um chapéu pontudo e nem tinha uma verruga na ponta do nariz. Nesta passagem da história, ela era uma mulher de meia-idade muito sábia, que trazia consigo os conhecimentos ancestrais da manipulação das ervas medicinais e dos ritos de invocação de seres do bem. Seus feitiços eram as misturas perfeitas de ervas de vários tipos, que conhecia como ninguém — remédio eficaz para a cura do corpo físico e do espírito.
Sua intenção era clara e sua caridosa bondade invocava os guardiões e as curandeiras para fazerem verdadeiros milagres, ajudando a todos que ali estavam sem possibilidades financeiras de pagar pelos médicos do lugarejo. Era muito respeitada e conhecida por todos da região, causou muita inveja e adquiriu inimigos ao longo desta sua vida carnal. A equipe médica local não era capaz de admitir que uma mulher sem um diploma nas mãos fosse capaz de tantas proezas. Por diversas vezes foi advertida e ameaçada, forçando-a a parar com o seu trabalho nobre e divino.
Apesar de todas as dificuldades, ela nunca parou; mesmo às escondidas, continuava ajudando os que a procuravam com dores e lamentações. Muitos foram os embates, e a nossa querida Bruxona, representada por Marie em tempos mais que difíceis, foi uma mulher forte e corajosa que não se deixava abater. Não havia quem a dobrasse, peitava os doutores da lei e as autoridades religiosas, e nada a fazia parar. Até que, um dia, sua família foi pega, torturada e morta — um a um, na sua frente —, para que nunca mais ousasse desafiá-los. Dores profundas que nem mesmo o tempo pôde apagar, trazidas em sua alma até a encarnação atual. Ela foi coagida a nunca mais manipular suas ervas e nem ensinar seus segredos de cura a ninguém e, num ato insano da época, foi levada ao centro do local para ser amarrada e queimada em praça pública. A injusta justiça foi aplicada, de acordo com a consciência que se tinha na época.
O tempo passou e a Bruxona nasceu e morreu, encarnou e desencarnou por diversas vezes, passando por novas experiências em diversas roupagens ao longo de sua trajetória carnal. Vidas após vidas, até chegar a esta vida como Cristina, a terapeuta holística vista como a curandeira dos nossos tempos. Cheia de boas intenções, aplicada e gentil, caridosa e bondosa em todas as suas ações. Desde sempre, sentia no seu íntimo a vontade de ajudar, mostrando-se sempre solícita. “Pau para toda obra”, era vista assim pelos seus queridos amigos, como uma pessoa que está sempre disposta a colaborar. Com muita sensibilidade, sempre se percebeu com uma certa mediunidade a desenvolver.
No início de sua carreira, teve medos e inseguranças que são muito comuns entre todos os profissionais que iniciam uma nova jornada. Mas, além da normalidade desses sentimentos, havia algo a mais que não a permitia deslanchar. Por mais que se esforçasse, em seu inconsciente ou em sua alma ela trazia as lembranças de seus entes queridos sendo torturados e mortos em consequência de suas escolhas. Em épocas remotas, onde foi chamada de bruxa, passou por cima de tudo para cumprir com o seu ofício e foi severamente castigada por isso. Nesta vida, o medo e a insegurança de ser recriminada novamente ainda estavam latentes.
Porém, através das terapias espiritualistas aplicadas nesta encarnação, pôde reviver sua história e entender a causa de seus bloqueios em relação à sua nova profissão. Fez movimentos de cura e adquiriu a consciência de que está vivendo, atualmente, em uma outra vida, em um outro momento. Agora, ela pode, sim, ser a “bruxona do bem”, liberada para fazer todos os seus feitiços de cura e ajudar muitas pessoas, como sempre foi o seu desejo.
Mas não pense que tudo são flores. Mesmo depois de toda a consciência adquirida, Cristina foi, por diversas vezes, abordada e coagida de várias maneiras a desistir de suas escolhas atuais por seus inimigos espirituais do passado, que ainda a perseguem. Com certeza, há assuntos a resolver, nesta ou em outras encarnações, com seus perseguidores, para um dia, quem sabe, desvencilhar-se deste vínculo tão arraigado em seu ser.
Muitas são as lembranças do passado que ainda estão impregnadas em Cristina. Uma delas é a da curandeira antiga que não cobrava pelos seus serviços; hoje, ela está aprendendo a gerar o merecido dinheiro através de seu trabalho amoroso e honesto, aceitando e entendendo a energia de troca que deve haver entre quem recebe e quem entrega algo tão transformador. A intenção caridosa continua a mesma, mas agora, com a consciência do reconhecimento de uma saudável troca energética — que favorece tanto quem dá quanto quem recebe —, tudo está sendo absorvido com leveza e gratidão.
Na atualidade, muitas pessoas carregam consigo sentimentos e traumas mal-resolvidos ou até mesmo desconhecidos, que podem estar presos no inconsciente ou na alma, dificultando o caminhar e o recebimento da prosperidade e da abundância. Eu acredito que para tudo há uma explicação e uma solução. O autoconhecimento é a chave para o início de uma notável transformação. Se essa história tocou o seu coração, faça como a Bruxona: busque as respostas para os seus incômodos e caminhe em direção à sua felicidade.
Reflita sobre isso. Em breve, eu voltarei para te contar mais uma das histórias de transformações da nossa querida Bruxona. Até mais.