Reencarnação masculina
A Bruxona no seu processo evolutivo, passou por várias vidas fazendo uso de muitas roupagens, tendo experiências femininas e masculinas para despertar no decorrer de suas reencarnações a compaixão pelas pessoas.
Cristina cresceu, com sensações e lembranças inconscientes de suas experiências anteriores, na sua adolescência, tinha uma certa repulsa por bebidas alcoólicas. Seus amigos a incentivavam a beber, mas o seu paladar seletivo não deixava passar mais que um gole pela sua garganta.
O medo de ficar bêbada e perder o controle dos seus atos a assombrava, tinha medo de dar um vexame e falar bobagens ou fazer algo comprometedor em frente das pessoas. Por toda sua vida, evitou a ingestão de qualquer tipo de bebida alcoólica. Não tomava nada, nem mesmo um vinho para manter o seu coração saudável ou champanhe para comemorar grandes eventos ou dias especiais. Na sua rotina era só água, sucos e chás.
Quando criança, viu uma única vez, o seu pai dando um show de horrores em uma festa de família, por um pequeno deslize bebeu além da conta. Fato comum entre muitos grupos, que até encaram essas cenas como um momento de descontração e alegria, achando graça dos desequilíbrios alheios.
Mas para a pequena Cristina essa cena foi chocante, quando adulta, achava que as suas repulsas por bebidas alcoólicas eram por conta deste fato infeliz. Ela nunca esqueceu da vergonha tamanha que o pai sentiu, mas essa foi realmente a única vez que ele se perdeu.
A vida seguiu e com o seu coração transformado se compadecia de pessoas que se perdiam pelos vícios, no seu íntimo sentia a necessidade de ajudá-las de alguma forma, mas não sabia como.
Um dia tentou ajudar um desconhecido que passava diariamente em frente do seu trabalho, era um homem maltrapilho que puxava uma carroça suja cheia de ferros, caixas de papelão e muitos objetos na intenção de vender para o ferro-velho.
Fizeram uma amizade apenas de se cumprimentarem, até o dia em que Cristina na sua inocência o convidou para tomar um café da manhã. O homem aceitou o convite dizendo: amanhã bem cedinho estarei aqui.
Ao mesmo tempo que ficou feliz, provavelmente se sentiu inseguro de enfrentar uma nova situação e no dia seguinte, chegou ao encontro bêbado acompanhado de obsessores que, com certeza queriam mantê-lo na dependência. Tanto o alcoolizado como a entidade que o acompanhava, deram muito trabalho para saírem do local, deixando Cristina muito assustada e coagida a não se meter mais onde não foi chamada.
O tempo se passou e o destino a conduziu a trabalhar como voluntária em uma instituição comprometida em ajudar moradores em situação de rua. Lugar abençoado e seguro, com pessoas capacitadas para fazer a diferença na condução de irmãos que se perderam pelos vícios. Grande parte destes atendidos eram alcoólatras e sua experiência junto a esse grupo foi enriquecedor e libertador.
Se dedicou a essa instituição por apenas três anos. A passagem foi breve, mas o suficiente para se libertar das amarras do passado que até o momento não imaginava que, uma de suas personalidades masculinas se apresentaria para ser resgatado naquele local.
Em tarefa aprendeu a fazer de tudo um pouquinho, era bastante participativa, servia sopas, auxiliava no banho, na entrega de roupas, na recepção, nas conversas de auxilio social e na condução do evangelho, participava também ativamente de festas e palestras.
Em uma dessas palestras, sentada no fundo da sala para observar e dar o apoio necessário aos atendidos, sentiu-se envolvida por uma emoção inexplicável, e a voz do palestrante foi se distanciando e tudo a sua volta parecia estar em segundo plano e de repente começou a visualizar cenas de uma família desestruturada, através da lente de um homem muito alcoolizado, nervoso e muito bravo tentando se equilibrar para não cair no chão e se estatelar.
Aos poucos foi tomando consciência de que esse homem era ela mesma em uma outra vida. Se viu pai de três crianças pequenas, entre cinco e dez anos, que por conta do seu terrível vício, fez atrocidades, machucando e comprometendo a vida de cada uma delas. Cristina se recordou de cenas horríveis, que irei te contar com mais detalhes na próxima quinta-feira. Um forte abraço, até mais.