Me visto de mim
Hoje me peguei experimentando vestidos. Não só os de tecido — os de história.
O azul de linho leve que deixa à mostra meu ॐ no ombro, meu Pequeno Príncipe colorido, o 運 que me lembra que a sorte também se lança — _Alea Jacta Est_ — e no antebraço, em letra miúda, o Pink Floyd me ensinando a respirar: _Breathe, breathe in the air_.
No outro braço, as 5 gaivotas voando livres e no pulso, minha clave de sol com o coração em ECG: *CARPE DIEM*.
Entendi que envelhecer não é deixar de vestir o mundo.
É finalmente vestir a si mesma.
É tomar café sem pressa, mesmo que manche a página do livro. Aliás, que bom que mancha. São essas manchas que provam que a história foi vivida.
Com 50 e poucos, óculos, cabelo solto, bolsa de palha e sorriso largo — vou pra orla, pra praça, pro cinema, subo o morro. E em cada lugar, sou a mesma: eu.
Sem medo de brilhar. Com batom vermelho mesmo de dia.
Porque a vida, como um bom café, precisa ser sentida quente.
Gratia Cynthia Maia Porto
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