Muitas de mim…
(Texto de Nane VoaLetra)
Quantas de mim ainda não conheço? Quantas mulheres habitam em mim?
Há alguns anos, venho pensando muito nessas perguntas. Mais do que isso: venho tentando encontrar essas respostas.
Dizem que a vida começa aos 40. Sempre ouvi essa frase e, quando ouvia, confesso sinceramente que achava estranho: “40 anos. Será que não é tarde demais para começar”? – assim pensava a jovem de vinte e poucos anos que eu era. Pois bem. Os 40 anos chegaram, passaram, e com eles, uma vida bem vivida, sabe? Hoje, passado esse “marco histórico”, me pego aqui, sentada, escrevendo; um tanto cansada, mas muito orgulhosa e fortalecida pela história que vou contar.
Para ler essa parte da minha vida, te convido a sentar em um local tranquilo, quieto, longe das distrações do mundo e, principalmente, longe dos barulhos da alma. Te convido a viajar comigo e, através desse meu relato, que você possa revisitar a sua própria história, afinal, somos todos muito parecidos em nossas humanidades… Vamos?
Em construção…
Eu vim de uma casa cheia – a filha caçula, entre muitos irmãos. Cresci entre um tanto de barulho e algum aperto; mas cercada de muito, muito amor.
Minha mãe partiu cedo. Eu tinha apenas dez anos e só fui entender o significado dessa perda ao longo do tempo. Mas não, não guardei mágoas. Mágoas são pesadas demais, e logo entendi – graças a Deus – que cada um tem seu tantinho de história para escrever aqui na Terra. Bem, ao longo desses mais de 30 anos que se passaram desde que ela partiu, muita coisa aconteceu. Estudei, trabalhei, namorei, sorri, chorei, viajei, voltei, me casei, abri empresa, fali, aprendi, tive filhos, me separei e, de tantos verbos que conjuguei até aqui, me orgulho de dizer que sempre segui em frente…