Impermanência
Mas pra que serve o mar? Navegar?
Helen Calaça
Não há nada…nada…
nada mesmo que estando no mar, a ele não pertença.
Não há nada…nada…
nada mesmo que estando no mar, a ele não pertença.
Estranho isso. Esse estado do ser.
Às vezes acho o monocromático chique,
mas lembro do mar.
Como pode haver a cor azul. Intraduzível.
Existir sem escrever, cansa, enruga o espírito e envenena a alma.
Pela palavra se cria e se destroi, tudo que vive, tudo que doi.
Onde está o navio?
-eu não sei…eu sinto que ainda estou navegando,
mas agora, para dentro
…alma aberta…
…estou a deriva…
Eu busco me encontrar, mas não desejo trombar comigo no escuro, não gosto de imprevistos. Preciso me encontrar suave…desfazer rasuras…ensaios.
É negação do milagre da vida.
É negação de que a fé é um negócio, movido a medo e perversão.
‘Quanto mais se destroi, mais pistas incontestáveis há de que ali também resistem milagres.’
Um conto de Carlos Kahê sobre inquietudes, incoerências e inconsciências da vida de um jovem.