Se eu falasse das estrelas
Do céu mais azul
Da proximidade com a linha do Equador
Se falasse de nós
Do vento que sopra aqui
Se eu contasse dos espirais
Das marés
Da brisa mansa nas mornas manhãs
Da visão turva, dos olhos brilhantes
Da inércia das flores murchas de um jardim
Que geram sementes para a nova floração
Da areia branca, do sol radiante
Das grades e das prisões
Das horas vazias
Do horizonte distante
No mar de águas claras
Das ondas gigantes
Se eu falasse da dor da alma
Do Espírito pensante
Das tórridas noites de verão
Se eu falasse dele
Meu amado
Tão sensível, tão singelo
Que ainda ama
Que ainda canta, lê e escreve
Que ainda tem planos
Que continua abominando injustiças
Que é “belo” antes de ser “fera!”
Se eu contasse
Talvez alguém entendesse as premissas.