O TECIDO DA VIDA
Quando estou tecendo a vida, na primeira parada adiciono uma vírgula, um tempo no caminho a refletir e lembrar que é preciso descansar. Mais adiante uma outra vírgula, um ponto e vírgula como forma de desvio para lembrar ou avisar que dali outro caminho se envereda, hora de conseguir mantimentos para continuar: Uma coisa nova, um aprendizado novo, uma profissão. Volta e meia uma exclamação, uma alegria, uma satisfação e um prazer; uma tristeza vem à tona nos dizer que nem só de felicidade podemos acintosamente viver. Sem perceber, algo não consigo completar, deixo escapar algumas reticências sem aviso. Talvez seja preciso estudar melhor para compreender porque parei na metade, se possuo ferramentas para concluir sem pausas, perfeita. Não conformado questiono. Consequentemente disparo uma interrogação, uma indagação. Às vezes, acho que certos pontos não deveriam estar na minha vida e quero tirá-los, mas não sei como; parece-me que se tirá-los perco da vida o sentido e a resposta do meu questionamento não a encontro, ou não me satisfaz. Deixo sair algumas conjunções, outras vezes interjeições, conflitos de linguagem caem de paraquedas: -“Mas eu não disse isto, foi exatamente o contrário que quis dizer…” Agora é tarde, está escrito, não há como mudar. E fico subordinado ao meu próprio fardo, tenho de fazer exatamente o que ele manda. Novamente entre virgulas me justifico, o que explica, mas não muda o sentido. Vem a sintaxe o estudar, em seguida, a semântica novamente questionar e mal vejo que o Fim está chegando fico imaginando o quanto vai ser difícil seguir o que ela diz. Mas quando se está praticando, nem uma virgula, um ponto e vírgula, dois pontos; uma exclamação, reticências ou interjeição é possível tirar, embora sei que talvez os mude de lugar. E quando se aproxima do ponto final o desespero invade e provocam, no contexto, inconformidades. O mistério continua. Novos textos são tecidos a novas vidas que virão.
Uma resposta
Maravilhoso, leva a uma reflexão…