Hoje não há poesia em meus versos
Há um aglomerado de verbos
Que precisam ser cuspidos
Escarrados
Vomitados
Vejamos bem:
Quem quer ver o racismo sendo aplaudido?
A homofobia ser celebrada?
A misoginia ser normalizada?
Quem gosta de ver as matas queimadas?
Os bichos pegando fogo?
Quem quer voltar à ditadura militar?
Depois de tanta “luta” pela democracia?
Quem aí quer ouvir “Eu não sou coveiro”?
Se entupir de Cloroquina
E se negar a tomar vacina?
Quem acha que a mulher deveria ganhar menos porque engravida?
Quem normalizou ouvir que pintou um clima com uma criança?
Ou fazer apologia à cultura do estupro?
Negacionistas
Terraplanistas
Negam a ciência!
Negam, negam evidências!
São especialistas em lavagem de dinheiro
Aliás, é só por ele que vivem!
Criam “bem” seus filhos, pois são o reflexo deles
O superaquecimento global é só uma invenção!
Genocídio , feminicído, quem aí apoia?
Nada disso tem a ver com religião
Passa longe, anos-luz!
Não existe poesia hoje no que escrevo
Eu chamaria de pascácio quem apoia essas barbáries
Mas com todo respeito,
Estaria supondo que seria ingenuidade
E não acho que seja o caso
Se trata de identificação moral
Ou melhor dizendo: amoral
Lembrei da música:
“Malandro é malandro e mané é mané”
Nem é um gênero que me identifico
Então, por que será que lembrei dessa frase?