A dor rima com amor
Rima com flor
Com som, com tom
A poeira cósmica rima com noite fantasmagórica
A distância rima com a alternância da esperança
A rosa não rima com espinhos
A dor rima com escritor
De uma poesia sem cor
De uma voz inaudível
Uma náusea
Que não se transforma em êmese
Como se fosse um nó na garganta
Que não se desamarra
No infinito sonho azul
Em um céu sempre nublado
No final de tudo
Ao acordar ou voltar a si
No final das contas
No final do muro
Lá tem um portal
Quando meus pés descalços
Atingirem os espinhos
Ainda sobrará um breve momento
Para contemplar a rosa.