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"Contos do Absurdo" de Marcelo Henrique Noal

De Marcelo Henrique Noal
Imagem de destaque da publicação "“Contos do Absurdo” de Marcelo Henrique Noal"

Autor

Marcelo Henrique Noal

Editora

Publicação Independente

Ano de Publicação

2026

Temas

Gênero

Sinopse

”Contos do Absurdo” nos leva à dimensão do sonho, da anestesia mental, imaginação e sinestesia.

 

Contos repletos de novidades e dilemas antigos, percorrendo temas diversificados como doenças mentais subjugadas, crimes, mistérios e comunicação entre planetas, em uma realidade paralela.

 

Uma leitura que nos leva à reflexão de tudo que pode existir realmente ou do que não passa de de uma metáfora bem colocada, no momento certo.

 

É uma experiência inesquecível, pois nos faz oscilar entre mundos, por vezes trágicos, nostálgicos ou cômicos, mas sempre de pura e livre imaginação.

Você está vivo?  Está acordado?  Sente toda essa energia, essa corrente elétrica magnífica, pulsar em suas veias, aditivando o seu sangue, ritmando seu coração, impulsionando o seu cérebro a raciocinar?  Seus sentidos estão apurados e são parte fundamental em todo esse processo de evolução que chamamos de vida?  Seus olhos contemplam todo esse mundo de belezas e mistérios, de histórias e mais histórias?  E daí a sua vontade de estudar, saber mais, criar, argumentar, saciar a sua sede de filosofia. Saborear sem pressa um alimento sem veneno, beber um bom vinho. Passar noites na estepe, em um planalto, em uma montanha, em uma estrada deserta, ou em um telhado, acompanhado ou sozinho, servido de uma bebida.   Ouvindo ou executando uma boa música.   Assistindo o espetáculo do céu em uma noite de tempestade, sentindo a chuva em seu rosto, o vento em seus poros, o sol sobre o vale em uma manhã de inverno e a sombra púrpura do anoitecer.   E todas as criaturas da natureza, os falcões, as baleias, os lobos, as ovelhas, a sabedoria de um velho das ruas, o veneno fatal de uma serpente, de um escorpião, de um peixe esquisito, ou de um ser humano qualquer em qualquer lugar desse planeta.  E você pode interagir com tudo isso.  Pode sentir que uma planta está te ouvindo e captando seu sinal, sua energia!   E o som psicodélico da madrugada na mata, a fúria de um rio, o silêncio carregado de um lago profundo, e um furacão em alto mar.  Tudo está sincronizado, em perfeita harmonia, em meticulosa perfeição, como em um sonho bom.  Tudo foi feito para você, a lua alguém pintou para você. Há água em abundância para poluir e os animais só estão ali para serem comidos, porque essa é a natureza das coisas, a lei da vida: o mais forte come o mais fraco; o mais jovem supera o mais velho; o bonito supera o inteligente.   A culpa não é sua, a lei não foi criada por você, apenas a segue porque foi assim que aprendeu, essa é a realidade e a verdade absoluta das coisas.  Mas não é melhor o sonho?   Que pesadelo é tão horrível quanto esse mundo do jeito que é, sempre foi e sempre será?  Talvez em outra dimensão esqueça que está preso e é um escravo de tiranos.  O ar está contaminado, as águas também.  O céu está escuro, as pessoas alienadas, e a comida é artificial.  Mas você está seguro, enquanto dorme está em paz.  Em que dimensão do espaço-tempo encontra-se o seu sonho?  Talvez no que chamas de objeto irreal.   O que você vê, toca, sente, fazem seu cérebro crer que tudo isso é verdade, descartando as possibilidades.   Mas quem pode afirmar que um dia eu não vá parar em Saturno, ou que você esteja imaginando esse texto?   Pode ser.  Mas e o nada, as galáxias, as esferas, como pode existir tanto mistério, tanta beleza?  Freud não respondeu. Nem Nietzsche. Nem Mozart, ou seu avô, ou seu professor; nem as paredes do seu quarto à beira de uma rodovia sem final aparente. Nem o seu desespero que aumenta a cada dia, a cada ostensivo segundo que pesa em sua mente saturada de informação e cultura inútil.  Essa história que te contaram é falsa.  Essa história não tem começo, nem fim, apenas desenvolve e evolui. Evolui para nada, por nada, e há espectadores, atores, e é preciso saber o que se é realmente.  Se for alguém… se existir de fato. Se pensar nas possibilidades, se for louco por enigmas.  Mas você está vivo e está acordado.  Caso contrário, como estaria lendo isso, certo?  Talvez alguém esteja lendo para você, talvez não existam palavras e blá, blá e vai…  Ou há deuses e as almas.   Ou um deus solitário e egoísta que passa a eternidade brincando conosco, porque sabe que é a única coisa poderosa.  Se ele fosse mesmo assim, não estaria melhor no inferno?  Você realmente é craque nesse esquema de evoluir, hein, neardental?  Ou acredita mesmo que esse planeta é o único habitado?  Mas é melhor evitar as dúvidas, evitar o xadrez e a música clássica. Fazer muito sexo e beber muito uísque sempre é a solução.  Mas quanto mais você bebe, mais você pensa, não é?  Tentar outras drogas… não faça isso! Remédios te castram e o resto te mata.   Tudo te mata. A vida te mata.   Essa é só a corrida para a morte.  E não seria essa a solução?  Uma fuga egoísta desse mundo tão egoísta, habitado em parte por seres muito egoístas, de cegos, e de outros que nem falam, talvez por egoísmo, talvez por sabedoria. Não! É só por incapacidade, mas não importa.  Você é louco, os loucos são gênios ou só meros idiotas.  Se você ainda está lendo isso, provavelmente é um dos dois.  Mas num sonho você pode ser um pássaro a voar por todo o mundo. Quando por fim se entediar, pode subir, subir e subir, até ultrapassar o limite da atmosfera e explodir.  Num sonho tudo é sempre bom.  Agora isso é possível, basta querer.  Essa é a dimensão do sonho, da anestesia mental, da imaginação.  Pode ser perigosa, mas é frenética e recheada de novidades: seres que nunca foram vistos; cidades flutuantes; ódio, amor e sabedoria. Vidas sem doutrinas; mortos falantes; aves mutantes; oceanos de puro sangue.  Talvez você não se importe em se ausentar um pouco dessa tal realidade.  Talvez queira fechar os olhos agora e curtir um espetáculo! 
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    Depoimentos
    Marcelo Henrique Noal, autor do livro de poemas “À Esquerda”, participante de diversas antologias de contos e poesias, membro da AILB (Academia Internacional de Literatura Brasileira), deixou escrito “Contos do Absurdo”, “A Colina de Fogo”, muitos poemas inéditos e manuscritos que serão publicados na sequência deste livro.  Muito além de sua arte, deixou aos que o conheceram a marca de sua personalidade singular, de sua maneira única de enxergar a vida e sobretudo de viver.  Partiu aos 33 anos, mas permanece como o brilho das estrelas já mortas, que viaja centenas, milhares de anos-luz para ser contemplado na Terra.   Marcelo, só Marcelo, como gostava de ser chamado, deixa como legado a certeza de que a arte, assim como o amor, transcende todas as barreiras de tempo e espaço e nunca finda. 
    Rô Noal

    O texto e opinião do autor não refletem necessariamente a opinião do site Inconclusos Online.