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Inconclusos Online

Doralice de tez branca

Aquela que se deixou tocar

Homenagem à minha vozinha com jubinha de leão, nascida em 03 de agosto de um ano qualquer.

O quanto você se permite ser tocado?

 

O que toca você?

 

Se você se deixa conhecer, o que fica exposto?

 

A vida é inteirinha, no cotidiano, um ato puro de filosofia. 

 

Cada sobra que tentamos encaixar, cada peso que desejamos das costas retirar, cada contra-fluxo que nos obriga a um eterno retorno, cada refazer, desconstruir, todo ser do contra, o tempo que tem de se esgarçar e aquela incerteza no fim do fundo, nos leva ao inevitável filosofar. Levitar ás vezes é possível. 

 

Se somos feitos por amor, obra amorosa do acaso destino, o amor à sabedoria é o que nos resta. Ainda que não saibamos o quanto nos define. 

 

O medo. Eu sinto. Eu sento. Eu solto. Eu surto. Eu solicito a providência interna de alguma decência de coragem. 

 

É com o coração que pensamos?

 

Será mesmo a massa cinzenta, responsável por ponderar a filosofia que nos circunda e que nos mantêm reféns perplexos?

 

Intermináveis reflexões, valas sem fundo. 

 

Não, não, isso me remete mais a reflexos de espelhos.

 

Por que quando me descuido e me deixo ver, eu temo essa imagem?

 

Todo dia eu tenho de estar comigo.

 

O espelho é uma dupla fuga. É um eu ao quadrado.

 

Pronto. Cheguei nos cantos, quadrados.

 

Nesses cantos onde muitas vezes estou.

 

E que careço eternamente de alguma parede redonda.

 

É porque eu, dos meus cantos, sei fazer tantas coisas.

 

Sou capaz de bem querer rápido. É como pedir um auxílio-família. Parece urgente.

 

Imagino um lugar lotado de mesas onde as pessoas iriam pra conversar e sentadas entre elas haveria os espelhos. Seria pois, possível as conversas, sustentarem?

 

Eu sinto que nos Congados e na festa mágica do Carnaval, é que o povo está ali de verdade, sem máscara. Sim, porque são camadas e mais camadas de medo e meias- verdades que assolam até a palma dos pés fincados na áspera realidade da maioria do povo do meu país. Tudo que é livre por uns dias de festa, tem de abastecer pequenos relances e restos de almas, que andam perdidas o ano inteiro. E à paisana.

 

Pensar que espelhos são feitos de sal químico. 

 

O sal. A imagem no espelho.

 

O que você vê?

 

Um corpo.

 

Um copo.

 

Um copo meio cheio.

 

Um corpo meio cheio.

 

Um corpo meio vazio. 

 

Um corpo que dança?

 

Um pouco criança?

 

Criança-tem de ser, pra crer.

 

Crer que o amor existe.

 

Crer que alguém se aproxima e se deixa ver. Gera responsabilidade. 

 

Habilidade de sentir a tempo de cuidar, ponderar, melhor escolher.

 

Para colher fruto bom. É que revirar-se do avesso, deixar-se perceber, como é que chama isso mesmo?

 

E quando não houver mais tempo, nenhuma luta, pouca luz, nenhum espelho, e a vontade de se defender desaparecer?

 

E em um dia comum, compreender que mastigar lentamente um alimento bom, é puro luxo filosofal. Olhar nos olhos de alguém e ver, então, transcende.

 

As pessoas estão ávidas por contato. Buscam e refinam suas buscas em tudo que está lá fora.

 

Há coisa muita.

 

Cada vez mais ação. 

 

Meu coração reclama ligeiro, em descompasso.

 

 

 

Ele me deixa ver que o Tempo é não linear. Foi importante que eu vi, cada rosa. 

 

Quando esvazio, posso ver muito.

 

 

 

Sensações migratórias, batendo em peitos soltos, uma imortalidade que pede reflexão. 

 

Nem nascemos.

 

A arte do encontro.

 

Vamos rever a que é dada a raça humana. Vejo o tom do seu braço branco. Meu olho nu, firma pra ver, admitir, admirar.

 

Continuo buscando a outra cor. Volto pro Carnaval. Mas lá também te vejo. E você samba mais do que eu.

 

Tá. É raça? 

 

Ou é espécie? Resolve, forçar essa barra?

 

Os caboclos sabem que não. 

 

Não tem mais condimento que dê conta de temperar isso. Dá trabalho ir além. Falos e vulvas não dissolvem a questão. 

 

O músculo que bate, continua intacto, só bate. Espera por doce resolução. 

 

Mas a paz não é um caminho. Não é sobre isso que eu vejo nenhuma construção. 

 

Mulher de uso, homem sem dificuldades.

 

Mulher difícil, homem resoluto?

 

Mas e a espécie?

 

E disso que eu quero falar. A que viemos?

 

Eu gosto mesmo é do que não conheço, na cor, no jeito, na cultura, na contra-fé, no não dito.

 

O espelho, em seu melhor dia, foi quebrado.

 

Há de se voltar a se permitir, deixar-se ver. Ao menos um pouquinho.  

 

O tempo é pouco, mas reverbera. Soa bem para a Alma permear-se para valer. O medo nunca impera.

 

É impossível ter olhos de ver, sem sua solitude que te conduz ao tempo bom de descortinar o coração. É um chamado.

 

E são fenômenos que não existem para nada. Nada pedem, nem vislumbram, a não ser um momento verdadeiro de eternidade. Deixar-se tocar é, pela milésima vez compreender que será fragilizado. Fragilizado para viver mais. 

 

Não há garantia, nem nome há.  

 

A vida pede uma espécie de investigação onde tem-se de desconfiar de tudo que conseguimos ser, até então,

 

para sermos permeáveis.  

 

 

 

Semear o trigo…

 

’Debulhar o trigo, 

 

recolher cada bago do trigo,

 

forjar no trigo o milagre do pão,

 

e se fartar de pão’.

 

E hoje sou

 

H.C. Borges Tavares.

 

🌻🦅

 

00:38h

 

03-08-26

 

 

 

 

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