–De onde você vem?
Não vim.
–Pra onde você vai?
Não sei.
–Mas você pertence a quê?
A nada.
–Se eu colocar um tapete vermelho pra você passar, você fica?
Eu queimo o tapete e a ideia, embora tenhas acertado a cor.
–Tudo te incomoda?
Tudo meu é dentro,’in’,onde me acomodo.
–Quem você acha que é?
Me diga você.
–Sua maluca.
Maluca beleza, amo Raul.
–Abri-te as portas.
Do inferno.
–Por que você é assim?
Eu não sou,
eu sou o Eu Sou.
–Eu vou amansar você aos poucos.
Faz me ver-te um pouco melhor e muito sujo.
–Mas eu fiz comidinhas pra você, comprei leitinho sem lactose, folhinhas boas de comer-agrião não, nem queijo-mas outras coisas e sabe por quê? -porque eu amo.
Seu amor me dá medo. Farejo perversão não sofisticada, mas pura, líquida.
–Mas tudo seu, tudo, tudo mesmo, admiro tanto. Até quero ser e ter. Inclusive seu traseiro.
Eu não tenho nada. E sou única no mundo.
–Eu te amo tanto.
Vejo sangue, ira e ódio.
–Mas eu te desejo, desde a primeira vez que te vi–
vi pois, a oportunidade que eu esperava e precisava.
Estive bem na sua frente em Espírito e não vi olho algum.
–Acreditei que poderíamos comer, enfim, caviar, nenhum farelo.
Seria mais fácil o caviar comer você.
–Mas por que tem essa birra de mim?
Olhei demais para o abismo e o abismo acabou olhando pra mim.
–Então, não houve nada para considerar?
Havia dois anjos, de quatro patas, que mais pareceram quatro asas, completamente absolutos em si mesmos, e que não me deixaram esquecer dos milagres e salvaguardaram a minha capacidade de amar.
–Mas eu amo tanto você.
O interesse nunca fará meu coração congelar.
–Mas você era novidade pra nós.
Deixarei morrer em mim, o que é velho.
–Metida você, não se podia fofocar, nem se falar de estupro no café da manhã.
Amo focas.
–Mas você veio aqui pra cuidar de mim.
Eu nunca estive aí. Eu só estou onde está meu coração. Apenas me deixei permear.
–Pois cobrarte-ei até o ar que respiras, onde minha palavra não valerá nada.
Nunca precisei de uma palavra sua, apenas vi.
–Por que viestes?
Para aprender o que ainda não sei e aprender a manifestar de forma saudável, o que importa.
–Não foi a primeira vez que desejei.
Nunca haverá a última, e a desonra não está no desejo e sim em como manejar isso.
–Mudei minha vida por você.
Sua vida não te pertence.
–Eu confiei em você.
Vou con-‘Fiar’ fios delicados e fortes, tecer sonhos reais, comer amor, beber água pura, tomar banho de luz, levitar sob as casas, só comerei depois de alimentar os meus anjinhos de quatro patas, e estes nunca conhecerão o peso da minha mão, caminharei com eles sob as nuvens e verei a face mais pura do Universo, sem hesitar se algum dia valeu a pena.
–E todo o tempo perdido?
O tempo é uma ilusão.
–Nossa, mas de onde você vem?
Eu não venho, eu vinho.
H.C.
24 de junho 2026.🌻🦅