O tom de azul que já não há
Não me interessa mais
O que as pessoas não entendem,
O que não conseguem enxergar,
O que deixam de fazer,
Como gostam de comparar.
Demorei um pouco,
Talvez até demais,
Porém me conheço,
Sou capaz de me ver,
De me reconhecer.
Já não me assusto com o que o espelho revela,
Sou uma mulher madura,
Mas ainda guardo muita ternura.
O mundo continua girando,
O tempo passando,
Como maré alta e maré baixa,
Num vai e vem sem fim.
A memória tem gosto e cheiro,
De você lembro por inteiro,
Seus olhos misteriosos,
Como mares bravios,
De um azul profundo.
Hoje em dia,
Cada dia,
É só um dia,
O ser humano me assusta,
Mas não me importo mais.
Estou a beira do cais,
Observo o céu e o mar,
E lembro com melancolia,
De um tom de azul,
Que já não há.
Gratia Cynthia