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Quando-me-reapaixonei

๐๐ฎ๐š๐ง๐๐จ ๐ฆ๐ž ๐ซ๐ž๐š๐ฉ๐š๐ข๐ฑ๐จ๐ง๐ž๐ข ๐ฉ๐จ๐ซ ๐ฆ๐ข๐ฆ…

Sobre crescer, fazer as pazes consigo e descobrir um lugar para voltar

Uma reflexรฃo sobre o encontro com a mulher que me tornei. Ao reler, dez anos depois, um texto escrito aos 30 e poucos, revisito antigas certezas, amarras e fugas para contar o que descobri pelo caminho: a beleza de fazer as pazes comigo e de encontrar poesia nas pequenas coisas.

DEscobertas-3

Hoje, acordei cedinho e reli um texto que escrevi hรก quase 10 anos. O nome dele, โ€œ๐„๐ฆ ๐œ๐จ๐ง๐ฌ๐ญ๐ซ๐ฎ๐œฬง๐šฬƒ๐จโ€.
Sabe, me emocionei pensando em como aquela mulher de 30 e poucos anos refletia bonito sobre a vida, sobre a pressa e sobretudo, sobre si mesma.
Nele, eu dizia que andava fugindo da pressa, do ir e vir sem sentido e das verdades absolutas que a gente vai repetindo com tanto orgulho e que, graรงas a Deus e com o tempo, vai percebendo que jรก nรฃo fazem mais sentido.
No texto, eu dizia que estava fugindo das amarras que um dia havia colocado em mim mesma, das regras que havia criado para a minha prรณpria vida e da ideia de que precisava permanecer fiel a tudo aquilo que um dia havia planejado.
Dizia que jรก nรฃo me constrangia com o silรชncio, que estava aprendendo a sair de fininho de conversas, pessoas e, principalmente, de lugares onde eu jรก nรฃo cabia mais…
E terminava dizendo: โ€œ๐‚๐ซ๐ž๐ฌ๐œ๐ž๐ซ ๐๐จฬ๐ข, ๐ฆ๐š๐ฌ ๐ง๐šฬƒ๐จ ๐œ๐ซ๐ž๐ฌ๐œ๐ž๐ซ ๐๐ž๐ฏ๐ž ๐๐จ๐ž๐ซ ๐ฆ๐š๐ข๐ฌ ๐š๐ข๐ง๐๐š.โ€

Sabe, hoje acordei pensando nessa mulher de 40 e poucos que, relendo aquelas palavras, gostaria de acrescentar mais algumas coisas:
ร‰. Crescer dรณi, mas hรก uma beleza ๐ˆ๐Œ๐„๐๐’๐€ em descobrir o que existe depois da dor.
Hรก quase dez anos, eu ainda nรฃo sabia que, depois de fugir de tantas coisas, eu encontraria um lugarzinho bom para onde sempre poderia voltar.
Um cantinho silencioso onde organizo minhas bagunรงas internas, aquieto os ruรญdos do dia e deixo algumas perguntas sem resposta.
๐„๐ฌ๐ฌ๐ž ๐ฅ๐ฎ๐ ๐š๐ซ? ๐ƒ๐ž๐ง๐ญ๐ซ๐จ ๐๐ž ๐ฆ๐ข๐ฆ.

Dentro de mim รฉ o lugar onde danรงo.
Danรงo de alma livre, escancarada, sem censura.
Danรงo como danรงo na minha pequena cozinha, onde a magia acontece e, nรฃo sei bem como, cabe meu mundo inteiro!
Cabe mรบsica, cabe o cafรฉ passando e o bolo que assa devagar no velho fogรฃo.
Cabe uma ideia (muitas!), cabem saudades e a poesia da vida vivida que pulsa dentro da gente…
E, sabe? Talvez seja isso que eu tenha descoberto:
๐๐šฬƒ๐จ ๐žฬ ๐ฉ๐ซ๐ž๐œ๐ข๐ฌ๐จ ๐ญ๐ž๐ซ ๐ฎ๐ฆ๐š ๐ฏ๐ข๐๐š ๐ ๐ซ๐š๐ง๐๐ข๐จ๐ฌ๐š ๐ฉ๐š๐ซ๐š ๐ช๐ฎ๐ž ๐ž๐ฅ๐š ๐ฌ๐ž๐ฃ๐š ๐ข๐ฆ๐ž๐ง๐ฌ๐š.
ร€s vezes, ela cabe numa cozinha pequena mesmo.
Num livro que estou revisando; numa lembranรงa que me fez rir (ou sentir saudades…) ou no intervalo entre fechar o computador e correr atรฉ o fogรฃo para descobrir se o bolo ficou pronto.
Cabe na roupa confortรกvel no fim do dia, no silรชncio da casa e na liberdade de nรฃo precisar explicar tudo (Deus, como isso รฉ libertador!!!)
๐„ ๐Ÿ๐จ๐ข ๐š๐ฌ๐ฌ๐ข๐ฆ ๐ช๐ฎ๐ž, ๐š๐จ๐ฌ ๐ฉ๐จ๐ฎ๐œ๐จ๐ฌ, ๐ž๐ฎ ๐ฆ๐ž (๐ซ๐ž)๐š๐ฉ๐š๐ข๐ฑ๐จ๐ง๐ž๐ข ๐ฉ๐จ๐ซ ๐ฆ๐ข๐ฆ.
Pela mulher que sou hoje. Pelas coisas que antes pareciam pequenas demais para merecer minha atenรงรฃo e que, agora, me parecem exatamente o tamanho da felicidade!
Hoje, vejo beleza onde antes talvez eu passasse apressada.
Vejo beleza no que fica entre uma coisa e outra; nos detalhes e atรฉ nas imperfeiรงรตes.
Hoje, vejo beleza na vida que vai acontecendo enquanto a gente perde tempo tentando controlar tudo. Que bobagem…
Hoje, jรก nรฃo quero tanto controlar o caminho. Quero sentir.
Quero danรงar quando tiver vontade.
Quero olhar demoradamente para uma tarde bonita.
Quero me permitir o que nรฃo serve para nada, mas que me faz bem.
Quero continuar trabalhando, criando, escrevendo, construindo โ€” mas sem esquecer que existe uma vida inteira acontecendo entre uma tarefa e outra.
E existe uma mulher ali.
E talvez essa seja a minha maior descoberta desses รบltimos anos:
๐„๐ฎ ๐ฆ๐ž ๐๐ž๐ฌ๐œ๐จ๐›๐ซ๐ข ๐ž๐ฆ ๐ฆ๐ข๐ฆ.
Hรก quase dez anos, escrevi que estava em construรงรฃo.
Hoje, eu continuo, mas, se a vida lรก fora faz barulho demais, eu volto.
Fecho a porta.
Coloco uma mรบsica e danรงo.
๐€๐ฌ๐ฌ๐จ ๐›๐จ๐ฅ๐จ ๐ž ๐ž๐ฌ๐œ๐ซ๐ž๐ฏ๐จ ๐ฅ๐ข๐ฏ๐ซ๐จ๐ฌ.
De alma livre e escancarada.
ร‰ que, hoje, aprendi a voltar para dentro de mim…

๐๐š๐ง๐ž ๐•๐จ๐š๐‹๐ž๐ญ๐ซ๐š
@๐ฏ๐จ๐š๐ฅ๐ž๐ญ๐ซ๐š

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O texto e opiniรฃo do autor nรฃo refletem necessariamente a opiniรฃo do site Inconclusos Online.

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