nunca mais olhaste o céu noturno sob o orvalho
o brilho intenso das estrelas
em tua íris, espelhado
nem demoraste o olhar pausado
em constelações infinitas
estes olhos que estão presos
há anos-luz da memória sem consciência
como buracos negros
devorando galáxias
e planetas
ainda há tempo
e tantas outras coisas
ainda há o brilho
o orvalho
e o reflexo da lua ainda descansa
esperando ser notado
ainda há a ousadia dos recomeços
a insistência cíclica das órbitas
e a permanência das estrelas
que piscam, mas nunca apagam
mesmo depois de mortas.