Quem me conhece sabe que não escrevo sem inspiração. Talvez esse seja um dos meus escritos mais inspirados.
Vou relatar, compartilhar com vocês, coisas da vida que nos acontecem no meio de um dia comum, e que eu uso as palavras (ah, as palavras!), para dissolver da alma, um nó desnecessário e retirar das costas, as facadas que insistem em nos dar, com cara de santo(a).
Ontem, me intimaram contra a minha vontade e sem aviso, a dar o ar de minha graça. Fui nomeada ‘Princesa enclausurada no castelo’. Lógico que eu conheço todo o contexto a que isso se deu.
Logo após, perguntaram o que eu andava fazendo da vida, em tom de Inquisição.
Ora, se sou uma princesa enclausurada, não posso estar fazendo muito.
Todavia, essa mesma ‘visita’ jura me conhecer tanto, mais que eu a mim mesma, a ponto de afirmar que sofro de Complexo de Édipo paterno. Informações sempre chegam aos meus ouvidos atentos, sem esforço.
Pois bem, estava eu no meu castelo, e me vejo intimidada, para ser investigada.
E talvez, quem sabe, comprovada ou reintegrada em algum contexto que nunca me pertenceu.
Vejam, tem um ditado antigo, sábio, que diz: quem está quieto quer ser deixado quieto.
Pessoas sabem muito da vida do outro, é impressionante.
Acontece que normalmente são pessoas que não admiramos, de quem não temos nenhuma referência a seguir ou ponderar.
Pessoas dizem o que querem sem filtro nenhum, por pura estupidez e inadvertência.
Pessoas que não têm pai, podem ter uma inveja de quem tem!
Reproduzem comportamentos aprendidos da vida inteira, que não deram em nada e não admitem a pluralidade. Sobretudo consideram a fofoca de grande utilidade.
Se estamos inconscientes, periga sentirmo-nos errados e culpados.
A parte mais irônica vem a seguir: o que quer que você esteja sendo ou fazendo, para essas egrégoras de controle, seria insuficiente e pouco bom. Seríamos julgados de forma igual. O velho Narciso que acha feio o que não é espelho.
E eu aqui, cada vez mais consciente do que não quero, do que não admito, do que não tem relevância pra minha vida, me vejo nessa espécie de resistência, onde escrevo, pura e simplesmente para não gerar um câncer, guardando emoções.
A gente muda, tão profundamente e consistentemente, e como o processo é absolutamente solitário e silencioso, essas egrégoras barulhentas e perturbadas que sabem tudo, menos de si mesmas, não conseguem perceber.
Te querem dançando o mesmo baile.
Não tem mais baile.
Não tem dancinha.
Não tem empatia de barganha, nem esforço de pertencer.
Não tem julgamento, nem fogueira de Inquisição.
Não tem mais jeitinho, nem diminutivos.
Tem uma mulher que está arrancando o próprio bico, todas as penas e uma por uma das unhas tortas que não servem mais pra viver.
É perigoso chegar desavisado.
Tem gente que passa perto de morrer e não sabe.
É repetitivo para mim observar os mesmos fenômenos de estupidez e arrogância plena, no cotidiano. Decido então eternizar nas palavras, essas que me comprovam na licença poética, e que hoje, me comprovam na licença de existir.
Então deixa eu fechar esse compartilhamento ressecado, porém autêntico: tem como me errar?
Como se eu fosse uma vertigem…uma comida estragada…não sei…
Mas vê então: não existo pra te agradar. Não te busco em circunstância nenhuma, porque não acredito no que vejo. O que eu peço sempre, é Justiça Divina.
Tenho esse Espírito. Escolhi viver e esse Espírito se revelou. Vamos então, brincar de Princesas Enclausuradas que tomam conta, cada uma, do seu próprio castelo e cuidar para que de tanto observar o castelo dos outros, o seu próprio não se transforme em um castelinho de areia?
H.C. 🌻🦅
00:38h
23-09-26
Uma resposta
Me identifiquei muito! É bom escrever para não reter tudo em nós…