Já não sei medir as palavras
nem dividir os espaços
já não sei cronometrar os silêncios
e o ecoar dos abismos
é intenso respirar
na extremidade íngreme de um penhasco,
quase um precipício
de ar rarefeito, pesado
e apesar do perigo
observar a paisagem
o Sol ultrapassando as folhas do mato com seus raios
aquecendo e alimentando
num espetáculo silencioso
enquanto isso as palavras quebram
os espaços se desintegram
e seus átomos passam a fazer parte de mim.