Meu livro já se inicia narcisista e megalomaníaco.
Era o mês de outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog havia sido morto alguns dias antes. No campus da USP, nós todos havíamos paralisado as aulas para preparar o ato de protesto da sexta-feira seguinte.
Creio que foi na segunda-feira daquela semana, e estávamos todos consternados com o que acontecera naquele fim-de-semana, nos porões do DOI-CODI. Era a maior correria para preparar uma assembléia urgente para se deliberar o que fazer.
Era o maior sobe-e-desce pelas rampas da FAU, e a cada minuto eu cruzava com o pessoal do Grêmio, do DCE, da UNE (não, a UNE não, ela ainda não fora reconstruída). Numa destas subidas de rampa, vinha, em sentido oposto ao meu, um grupo de estudantes que eu conhecia bem (lembro da Clara Ant, do Josimar Melo…), acompanhado de um senhor de terno e gola rulê, sem gravata, cara meio esquisita, totalmente careca. Na hora que o dito senhor me viu, ele estancou e ficou me fitando, como quem vira um E.T.
Continuei meu caminho, e percebi que o cara ficava olhando para trás (para mim), atônito.
Menos de uma hora depois, começava, no Salão Caramelo da escola, a assembléia. Participar de assembléias era o que eu mais gostava de fazer, naquele meu tempo de estudante que não gostava muito de estudar!
Sentado à mesa, junto ao pessoal do Grêmio e do DCE estava o dito-cujo senhor. Após as primeiras falas deliberativas, um dos membros da mesa anunciou a presença solidária do prof. Michel Foucault, conhecido filósofo e ensaísta francês que estava de passagem por SP, creio que para algum congresso.
Durante essa estadia o professor Foucault concedeu pelo menos uma longa entrevista a um dos órgãos da imprensa alternativa. Eu, na época, colecionava um monte dos ditos jornais “nanicos”, então não lembro ao certo se foi no “Ex” ou no “Versus” que tomei contato com o pensamento dele, e com o seu discurso sobre excluídos, em especial os doentes mentais.
Não lembro se foi antes ou depois deste episódio que comecei a me interessar pelo tema da doença mental. Sei que carreguei com um certo orgulho a idéia de que fui “objeto de estudo” do Foucault até o dia em que expus a historinha à minha psicoterapeuta, que me explicou, com um ar muito divertido: “Ora, Claudio, ele apenas achou você muito bonito!”
Eu não sabia que o Foucault era um homossexual assumido!
Vejam só então, meu maior feito histórico foi ter sido “paquerado” por um dos filósofos mais famosos do século vinte!
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Orgulho-me mais de ter meu nome inscrito na História do Rock. É que faço parte de uma banda “cover” do Led Zeppelin que realizou um único concerto, para uma seleta platéia de meia dúzia de convidados; pois bem, com esse concerto nós provocamos o acidente aéreo que vitimou os Mamonas Assassinas, em 1996! Isso eu vou contar detalhadamente no decorrer do livro.