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Negação

Nega-ação

É negação do milagre da vida. É negação de que a fé é um negócio, movido a medo e perversão.

Eu te nego, tu me negas, nós nos negamos. 

Né nega?

É negação de liberdade.

É negação de conflito.

É negação de um teto com tato, contato.

É negação de vida.

É negação de luar.

É negação de alegria na sala de não estar.

É negação de paz, a qualquer custo.

É negação da confirmação de que transcender, existe.

É negação da claridade do azul do céu em Deus.

É negação de Deus nas estrelas e no fundo do mar.

É negação de que o sangue do outro, é o seu.

É negação de que você importa e de que você sou eu.

É negação da morte, dentro da vida descrente.

É negação do átomo. 

É negação de fractais, de dimensões, negação da vida aquela antes, para justificar a última. 

É negação da divindade do canto africano.

É negação do milagre do canto daqui.

É negação de que o que importa é como Cristo (e outros tantos mestres) viveu, mais do que Sua morte e a sua também. 

É negação de que a morte não existe, e se existe, é necessário conhecê-la para renascer. 

É a negação de que um corpo precisa falar.

É negação de que um bichano te escancara todos os milagres, com os quais você não pode lidar.

É negação de que um cão é deliberadamente mais cão do que você, pois é puro.

É negação da gratidão. 

É negação do milagre da vida.

É negação de que a fé é um negócio, movido a medo e perversão. 

É negação do silêncio milagroso de toda Conexão.

É negação de se querer voltar pra Casa, mas levá-la eternamente dentro do peito. 

 

É negação por avareza, não soltar um riso alto e largo.

Se me viessem borrar os lábios de um batom vermelho, duvidoso e ‘inocente’, me prometendo Liberdade, e eu parada como uma Estátua, eu negaria na hora e levantaria minha espada.

É negação de que as mortes são em vão. É negação de que as guerras existem por estratégia de uns que representam vários. 

É negação de que o amor está na alma e não na lama ou na genitália.

É negação chamar tudo de amor e fazer tudo em nome de Deus.

É negação não querer estar do lado correto da História, onde a palavra pólis carece de investigação.

Por negação nasci canhota, por mais que tivessem passado a vida tentando me endireitar. 

É negação insistir em só se fazer músicas sem refrão. Na música eu gosto mesmo é da ‘ponte’, ainda que seja para quebrá-la.

É negação nunca mergulhar no mar.

É negação estar no rio e no mar querer chegar.

É negação não entender a ilusão no Tempo.

É negação fingir que não acessa os códigos secretos.

É negação ter sido amado e não amar. 

É negação o amor de barganha.

É negação, a maioria das instituições. 

É negação, não ver você em um índio e é indício de loucura.

É negação, nego, o que acontece com a pele negra.

É negação, dizer que todos são iguais. 

É negação dizer que o Rio não é lindo e caótico. 

É negação, o fugir do conflito.

E se deixar, sem conflito nenhum, te querem fazer estar ciente, de que te negarão uma concha de feijão. 

Aí fico com Caetano:

”Vamo’ comer, vamo’ comer feijão

Vamo’ comer, vamo’ comer farinha

Se tiver, se não tiver então

Ô ô ô ô ô”.

Não nego.

Pode não. 

H.C. 🌻🦅

 

'Brasil, mostra a sua cara': cantarei um milhão de vezes!
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